Alexandre Lozetti, jornalista do Lance! que cobre o São Paulo desde 2005, o qual é amigo e um ídolo dentro e fora da redação, escreveu um texto sobre a polêmica inventada em torno da saída do Muricy. O texto que, sem exagero, poderia levar o predicato de “obra” no título, é uma síntese muito bem abordada por quem vive o dia-a-dia do Clube, argumento tão recorrente nas entrevistas de Muricy Ramalho.
Aí está:
Ensaio sobre a cegueira
“A vitória cega”. A frase me foi dita há alguns meses por Marco Aurélio Cunha, bravo defensor de Muricy Ramalho durante os três anos e meio do técnico à frente do São Paulo. O dirigente bem poderia, agora, repeti-la ao amigo. Vaidoso como mostrou ser durante esse período, Muricy deve estar deliciado com as críticas da torcida. Do presidente ao substituto, passando por jogadores, poucos saíram ilesos.
Muricy sempre encarnou com maestria o papel de coitadinho. No pronunciamento de despedida, pediu até desculpas pelas grosserias com a imprensa. Não foi a primeira, nem a segunda vez. Lembra-me aquelas crianças que se repetem nas justificativas porque repetem os erros.
O ex-técnico do São Paulo já sabia, desde quinta-feira à noite, que seria poupado pelos torcedores. Sabe-se lá por que razão, no protesto da torcida organizada em frente ao portão principal do Morumbi, após a quarta eliminação consecutiva em Libertadores, Muricy foi o único apoiado e teve três oportunidades para sair de maneira honrosa: a entrevista coletiva de quinta-feira, a sexta-feira, em que preferiu o silêncio, e o adeus de sábado.
Caberia a ele, tivesse um pingo de gratidão verdadeira (não a “oficial” demonstrada na despedida), defender seus companheiros da ira da torcida. Principalmente Juvenal Juvêncio e Hernanes. Muricy só ficou tanto tempo no Morumbi, e pôde criar essa identificação com o público, graças à resistência de Juvenal, que contrariou seus pares mesmo em época de eleições e o manteve no cargo.
Já Hernanes teve inúmeras oportunidades para desmentir o treinador, acostumado a distorcer a História a seu favor. O jogador foi para o time profissional graças a Milton Cruz. Ficou no São Paulo graças a Marco Aurélio Cunha. E virou titular graças a Juvenal Juvêncio. Nem mesmo quando eleito craque do Campeonato Brasileiro, Hernanes tirou da boca de Muricy o falso gostinho de tê-lo “descoberto”. E na hora em que Juvenal e Hernanes precisaram do técnico, não puderam contar. Muricy jogou ainda mais lenha na fogueira.
Piores foram as entrevistas concedidas já como desempregado. Tenho a metade da idade do tricampeão brasileiro, mas sei que atribuir aos outros a responsabilidade pelos próprios fracassos é um passo enorme para enganar a si mesmo. É o que Muricy faz. Disse que “faltou parceria entre os jogadores”. Os boatos de problemas no grupo já haviam sido negados pelo ex-técnico em 2007, com Leandro e Dagoberto; em 2008, com Adriano, Fábio Santos e Carlos Alberto; e eram negados, em 2009, até semana passada. Por que, fora do clube, Muricy resolve jogar os atletas na fogueira?
Muricy, amicíssimo dos dirigentes do Internacional, quase chegou ao fundo do poço ao reclamar do suposto pedido de emprego de Cuca a Juvenal. O presidente são-paulino e o técnico, agora flamenguista, se falam com frequência. Há tanta liberdade entre eles, que Juvenal ligou para Cuca, no fim de 2007, perguntando se deveria contratar o argentino Conca. Ouviu que o jogador não servia ao São Paulo e considerou a opinião de um ex-funcionário em detrimento à de Muricy, que, na época, tinha todo direito de reclamar. Mas, cordeiro, não se pronunciou. Agora, Cuca ligou para pedir conselhos sobre como lidar com Adriano. Muricy sabe como é difícil. Afinal, no ano passado, foi obrigado por Juvenal a escalar o atacante e, embora diga que ninguém mete o bedelho em suas escalações, aceitou, como já havia aceitado outras tantas “sugestões”.
Triste é ter cegado também a maioria da imprensa esportiva, que embarcou firmemente, repleta de clichês e hipocrisia, no conto do coitadinho. “O São Paulo também demite técnico!”, bradaram uns. “Até o São Paulo faz isso?”, indagaram outros. E que outro clube, pergunto, teria segurado um treinador eliminado por Internacional, Grêmio, Fluminense, Cruzeiro, São Caetano, Palmeiras e Corinthians? Para ficar só nos brasileiros e mais importantes.
Absolutamente ninguém questionou por que Muricy Ramalho, conhecido pelo bordão “Aqui é trabalho!”, faltou ao treino de terça-feira, antevéspera do jogo mais importante da temporada para sua equipe. Assim como ninguém jamais ousou perguntar por que o treinador faz questão de destruir suas próprias construções: Richarlyson e Hernanes, melhores do país em 2007, separados em 2008; Dagoberto e Borges, dupla de ataque campeã em 2008 e desfeita em 2009. E por aí vai… Nem é preciso ter diploma para constatar as incoerências, que se misturaram aos méritos, ao longo dos três campeonatos conquistados, e 11 perdidos na Era Muricy.
“Ah, mas a torcida está a favor dele…”, ouço por aí. Que torcida? A mesma que massacrou Kaká e Luís Fabiano no início do século? E que quase expulsou Rogério Ceni em 2004? É essa torcida que está a favor de Muricy? Com essas testemunhas de defesa, quem precisa de promotoria? Definitivamente, o São Paulo não é o Lobo Mau deste conto. E Muricy Ramalho, muito menos, a Chapeuzinho Vermelho.
Alexandre Lozetti.”
Relato de quem vive o dia-a-dia.
Glauco Bittencourt
Era 2007, final de novembro. Eu e mais uns 40 amigos são paulinos (Acreditem!), fomos a uma dessas quadras onde tem pay-per-view, aqui de Porto Alegre, para ver o São Paulo, com 4 rodadas de antecedência, sagrar-se Pentacampeão Brasileiro. Foi neste cenário, de festa, que conheci Érik. Meu conterrâneo, e por sorte são paulino, perdido por estes pampas, e que encheu a cara comigo na Cidade Baixa gritando “É Penta!”.
Roger Federer, finalmente, quebrou o jejum de títulos – o último foi o US Open em 2008. Não podia deixar de registrar aqui, afinal, é um dos maiores tenistas da história – que pude acompanhar. O que não deveria ser raro, estava se tornando: não ver Federer ganhar um Grand Slam.
Mas, alguém pode me dizer qual era a do juiz argentino, Pablo Lunati(co)? O juizão do cabelo ao estilo moicano e metrossexual me lembrou o comportamento de alguns boleiros. Vasculhando o Google, encontrei esta foto ao lado, totalmente pastelão (hahaha!).