Ensaio sobre a cegueira

28/06/2009 por Glauco Bittencourt

Alexandre Lozetti, jornalista do Lance! que cobre o São Paulo desde 2005, o qual é amigo e um ídolo dentro e fora da redação, escreveu um texto sobre a polêmica inventada em torno da saída do Muricy. O texto que, sem exagero, poderia levar o predicato de “obra” no título, é uma síntese muito bem abordada por quem vive o dia-a-dia do Clube, argumento tão recorrente nas entrevistas de Muricy Ramalho.

Aí está:

Ensaio sobre a cegueira

“A vitória cega”. A frase me foi dita há alguns meses por Marco Aurélio Cunha, bravo defensor de Muricy Ramalho durante os três anos e meio do técnico à frente do São Paulo. O dirigente bem poderia, agora, repeti-la ao amigo. Vaidoso como mostrou ser durante esse período, Muricy deve estar deliciado com as críticas da torcida. Do presidente ao substituto, passando por jogadores, poucos saíram ilesos.

Muricy sempre encarnou com maestria o papel de coitadinho. No pronunciamento de despedida, pediu até desculpas pelas grosserias com a imprensa. Não foi a primeira, nem a segunda vez. Lembra-me aquelas crianças que se repetem nas justificativas porque repetem os erros.

O ex-técnico do São Paulo já sabia, desde quinta-feira à noite, que seria poupado pelos torcedores. Sabe-se lá por que razão, no protesto da torcida organizada em frente ao portão principal do Morumbi, após a quarta eliminação consecutiva em Libertadores, Muricy foi o único apoiado e teve três oportunidades para sair de maneira honrosa: a entrevista coletiva de quinta-feira, a sexta-feira, em que preferiu o silêncio, e o adeus de sábado.

Caberia a ele, tivesse um pingo de gratidão verdadeira (não a “oficial” demonstrada na despedida), defender seus companheiros da ira da torcida. Principalmente Juvenal Juvêncio e Hernanes. Muricy só ficou tanto tempo no Morumbi, e pôde criar essa identificação com o público, graças à resistência de Juvenal, que contrariou seus pares mesmo em época de eleições e o manteve no cargo.

Já Hernanes teve inúmeras oportunidades para desmentir o treinador, acostumado a distorcer a História a seu favor. O jogador foi para o time profissional graças a Milton Cruz. Ficou no São Paulo graças a Marco Aurélio Cunha. E virou titular graças a Juvenal Juvêncio. Nem mesmo quando eleito craque do Campeonato Brasileiro, Hernanes tirou da boca de Muricy o falso gostinho de tê-lo “descoberto”. E na hora em que Juvenal e Hernanes precisaram do técnico, não puderam contar. Muricy jogou ainda mais lenha na fogueira.

Piores foram as entrevistas concedidas já como desempregado. Tenho a metade da idade do tricampeão brasileiro, mas sei que atribuir aos outros a responsabilidade pelos próprios fracassos é um passo enorme para enganar a si mesmo. É o que Muricy faz. Disse que “faltou parceria entre os jogadores”. Os boatos de problemas no grupo já haviam sido negados pelo ex-técnico em 2007, com Leandro e Dagoberto; em 2008, com Adriano, Fábio Santos e Carlos Alberto; e eram negados, em 2009, até semana passada. Por que, fora do clube, Muricy resolve jogar os atletas na fogueira?

Afirmou também o tetra melhor técnico do Campeonato Brasileiro (pela CBF) que “a diretoria estava mais preocupada com o Morumbi do que com o time”. Ora, a mesma diretoria que, além de ter mantido o time campeão do ano passado, ainda trouxe oito reforços? Deram a Muricy todas as condições para se sair bem no primeiro semestre. E nada.

Muricy, amicíssimo dos dirigentes do Internacional, quase chegou ao fundo do poço ao reclamar do suposto pedido de emprego de Cuca a Juvenal. O presidente são-paulino e o técnico, agora flamenguista, se falam com frequência. Há tanta liberdade entre eles, que Juvenal ligou para Cuca, no fim de 2007, perguntando se deveria contratar o argentino Conca. Ouviu que o jogador não servia ao São Paulo e considerou a opinião de um ex-funcionário em detrimento à de Muricy, que, na época, tinha todo direito de reclamar. Mas, cordeiro, não se pronunciou. Agora, Cuca ligou para pedir conselhos sobre como lidar com Adriano. Muricy sabe como é difícil. Afinal, no ano passado, foi obrigado por Juvenal a escalar o atacante e, embora diga que ninguém mete o bedelho em suas escalações, aceitou, como já havia aceitado outras tantas “sugestões”.

Quando Vanderlei Luxemburgo fazia isso, aprendi que se chamava “desviar o foco”. Talvez, a regra não valha para quem não usa terno…
Após a vitória por 2 a 1 sobre o Vasco, que praticamente selou o hexacampeonato brasileiro, Muricy Ramalho disse: “Nosso elenco é limitado, mas eu trabalho muito”. Ou seja, atribui a si os louros das vitórias, mas distribui a quem for necessário a culpa das derrotas. Isso é ser parceiro? Será que Muricy não tem culpa nenhuma, não fez nada de errado? Teria sido o humilde paulistano de imperfeições na fala e suor no rosto (tipo que fascina os brasileiros) vítima de uma conspiração mundial? A vitória cegou Muricy.

Triste é ter cegado também a maioria da imprensa esportiva, que embarcou firmemente, repleta de clichês e hipocrisia, no conto do coitadinho. “O São Paulo também demite técnico!”, bradaram uns. “Até o São Paulo faz isso?”, indagaram outros. E que outro clube, pergunto, teria segurado um treinador eliminado por Internacional, Grêmio, Fluminense, Cruzeiro, São Caetano, Palmeiras e Corinthians? Para ficar só nos brasileiros e mais importantes.

Absolutamente ninguém questionou por que Muricy Ramalho, conhecido pelo bordão “Aqui é trabalho!”, faltou ao treino de terça-feira, antevéspera do jogo mais importante da temporada para sua equipe. Assim como ninguém jamais ousou perguntar por que o treinador faz questão de destruir suas próprias construções: Richarlyson e Hernanes, melhores do país em 2007, separados em 2008; Dagoberto e Borges, dupla de ataque campeã em 2008 e desfeita em 2009. E por aí vai… Nem é preciso ter diploma para constatar as incoerências, que se misturaram aos méritos, ao longo dos três campeonatos conquistados, e 11 perdidos na Era Muricy.

“Ah, mas a torcida está a favor dele…”, ouço por aí. Que torcida? A mesma que massacrou Kaká e Luís Fabiano no início do século? E que quase expulsou Rogério Ceni em 2004? É essa torcida que está a favor de Muricy? Com essas testemunhas de defesa, quem precisa de promotoria? Definitivamente, o São Paulo não é o Lobo Mau deste conto. E Muricy Ramalho, muito menos, a Chapeuzinho Vermelho.

Alexandre Lozetti.”

Relato de quem vive o dia-a-dia.

Glauco Bittencourt

Aleluia!

19/06/2009 por Glauco Bittencourt

Ele está caindo, indo, saindo. O impecilho agora é: demitido, ou demitir-se.

Esteve no CT o tempo todo, mas não foi pro gramado. O conselho em unânimidade cobra sua cabeça e levará a público isso. A chapa esquentou!

A pressão de ontem foi grande, e nas próximas horas, ele deve sair…

Esperei 3 anos por isso, poderemos, enfim, jogar futebol.

Ah, não sou grato pelos 3 títulos brasileiros, qualquer meia-boca em seu lugar e com esta estrutura, levaria.

Glauco Bittencourt

Paixão transcedente

19/06/2009 por Glauco Bittencourt

Balões, bicões, chutões. 11 difusos jogadores. Mais bagunça do que paixão.

Mais uma vez em casa, mais uma vez num mata-mata. Outra vez na Libertadores, outra vez para um brasileiro.

As mesmas promessas de sempre, as mesmas desculpas. Outro semestre que vai, outro fracasso que ficará esquecido.

Apesar de tudo, ele é aclamado. Não sei qual é seu segredo, nem o que faz de especial – a não ser utilizar volantes.

Bradam à plenos pulmões: “É Muricy!”

Hoje, Muricy é maior que o São Paulo.

Será que torcer pelo São Paulo, sem o Muricy, é transcedental?

A história nos dirá.

Glauco Bittencourt

“My equipe play very nice”

17/06/2009 por Glauco Bittencourt

Segunda-feira, o papai Joel Santana estreiou com sua seleção, África do Sul,  na Copa das Confedereções. O jogo só valeu mesmo pela entrevista concedida por Joel na saída do gramado. Esbanjando simpatia e desenvoltura, soltou mais de suas pérolas, mas desta vez, em inglês. E o pior, sem intérprete.

Ah, os Bafana Bafana, como são conhecidos, não passaram de um empate sem gols com o Iraque.  Ainda bem que os jogadores entendem bem o que o Joel quer e “play right”, “play left”, e as vezes trocam passes em velocidade “in the medium”.

Glauco Bittencourt

Coincidência ou sorte?

31/05/2009 por Glauco Bittencourt

Você sabia que o Juvenal Juvêncio passou a semana no CT do SPFC depois do jogo contra o Cruzeiro?

Você sabia que, misteriosamente, no jogo de hoje saíram alguns titulares “incontestáveis” do Muricy e ele mudou a escalação?

Você sabia que o Juvenal, em 2008 fez a mesma coisa, e o time reagiu no Brasileiro?

Você será cara-de-pau de dar o crédito da reação ao Muricy, ou ao Juvenal?

Glauco Bittencourt

Érik para o mundo

20/05/2009 por Glauco Bittencourt

Érik FlausinoEra 2007, final de novembro. Eu e mais uns 40 amigos são paulinos (Acreditem!), fomos a uma dessas quadras onde tem pay-per-view, aqui de Porto Alegre, para ver o São Paulo, com 4 rodadas de antecedência, sagrar-se Pentacampeão Brasileiro. Foi neste cenário, de festa, que conheci Érik. Meu conterrâneo, e por sorte são paulino, perdido por estes pampas, e que encheu a cara comigo na Cidade Baixa gritando “É Penta!”.

Foi o bastante para virarmos bons amigos. O Érik era o sujeito mais diferente, talvez alternativo, que eu havia conhecido até então. Ele veio para Porto Alegre para… Bem, nem ele sabe o porquê, mas veio com 400 reais no bolso, e com algumas mochilas. Ele é publicitário, e talvez por isso pareça louco ou até mesmo hippie.

Ele é o único cidadão que conheço, que foi a uma entrevista de emprego com a camisa do São Paulo de 94 – aquela da TAM, do Juninho, lembra? -, e saiu de lá empregado, é mole? Mas, enfim, depois de quase um ano de vivência nos pampas, muitas experiências, presepadas, e tudo mais, o Érik retornou para São Paulo, e lá permanece.

Sábado, ele ganhou a atenção da Juliana Paes (!!!!!!!!!!!!!!!!!!). É sério. No último Altas Horas, programa do Serginho Groismann na Globo, o Érik apareceu no quadro “Com quem eu pareço?” (hahaha!), pela foto do post, nem vou comentar o eleito. Eu não poderia deixar de trazer esta pérola pro blog e matar um pouco da saudade deste grande amigo. Valeu, Érik “Flausino”!

Confira o vídeo do Altas Horas aqui!

Glauco Bittencourt

O que não deveria ser raro

20/05/2009 por Glauco Bittencourt

1202339-2223-cpRoger Federer, finalmente, quebrou o jejum de títulos – o último foi o US Open em 2008. Não podia deixar de registrar aqui, afinal, é um dos maiores tenistas da história – que pude acompanhar. O que não deveria ser raro, estava se tornando: não ver Federer ganhar um Grand Slam.

Não foi do jeito mais bonito, suado, nem épico. Mas foi. E isto basta. Cansaço do Nadal à parte, merecidamente, Federer volta ao seu lugar.

O Nadal que me perdoe, mas o Federer é o tenista clássico, completo, e acima de tudo, genial. O que dificilmente, Nadal será em 10 anos. É um grande tenista, sem dúvidas, mas sem a mesma técnica e elegância do Federer.

Que a seqüência seja mantida, e que o título dê moral pro Federer, que andava cabisbaixo.

Glauco Bittencourt

CPI da Petrobrás

15/05/2009 por Glauco Bittencourt

A CPI da Petrobrás foi pedida pelo senador Álvaro Dias (PSDB/PR), e vem como manobra política para desestabilizar a principal plataforma de promoção do governo Lula, com o tal do Pré-Sal.

A CPI precisa de 27 assinaturas pra ser instaurada, tem 31 no total. Cristóvão Buarque acabou de retirar a dele. O governo tem até a meia-noite pra conseguir ganhar mais 5 senadores, prazo dificil, mas…

Demorou pra alguém se perguntar o porquê dos valores “estranhos” nos balancetes, regime tributários, e das licitações.

A empresa estatal mais cara do mundo conseguirá se livrar de mais essa? O governo conseguirá impedir? Robin, ops, Lula conseguirá ajudar o Batman (Zé Sérgio Gabrieli)?

Faltam 30 minutos…

Atualizando o post: CPI criada, vitória da oposição. 30 votos, 3 além dos necessários. E como todas as CPIs, esta também não foi criada no âmbito de esclarecer verdade nenhuma, e sim pra confronto entre opisição e Governo. Vem merda por aí…

Glauco Bittencourt

Jogaço da rodada

14/05/2009 por Glauco Bittencourt
(créditos da foto: LANCEPRESS!)

(créditos da foto: LANCEPRESS!)

Este jogo deveria ser mostrado à boa parcela dos técnicos brasileiros, que teimam em “europeizar” nosso futebol. Flamengo e Inter não precisaram colocar 8 atrás e esperar contra-ataques, resolveram jogar. Lógico, o Flamengo mais, por jogar em casa.

O Inter, quando saiu, levou perigo. O Flamengo quando tocou, envolveu. Até surpreendeu positivamente ao mostrar uma defesa com Willians e Airton seguros, e Toró simplesmente soberbo na marcação sobre o D’Alessandro, apagado e ofuscado. Ressalva igualmente feita a Guinazu, que partida! Que jogador!

Talvez, o resultado mais justo seria a vitória do Flá, pelo número de oportunidades criadas. Deixou de fazer, e quando acertou, encontrou o Lauro inspirado. No Beira-Rio lotado, será outro jogaço. Uma pena que caia na mesma quarta da Libertadores. Que ansiedade!

Com exceção do jogo do Vasco, que diga-se de passagem, atropelou o Vitória, não vi mais nada. Me concentrei apenas no Maracanã. Logo, não comentarei os outros jogos da rodada.

Ah, vou atualizar o blog com outros posts que não futebol, é que… Pô, terça e quarta de Libertadores e Copa do Brasil merece, vai… rs

Glauco Bittencourt

Enquanto isto, em Caracas…

13/05/2009 por Glauco Bittencourt

Deportivo Cuenca e Caracas decidiam a vaga nas quartas pra enfrentar o Grêmio, na Libertadores. Tive a sorte de ver 2 jogos do Caracas na Libertadores – talvez o azar de ver o primeiro. Não é nada de mais, é pra lá de limitado. Mas é interessante o jeito como agride seu adversário, muitas vezes lembrando nosso futebol. Inclusive, chutam daonde vier.

Coitado do Rodrigo Teixeira, centroavante brasileiro, que joga no Cuenca. O time é de dar dó. 4 foi pouco! Time sem vontade, estéril, enfim, tipicamente equatoriano.

O Grêmio não enfretará maiores dificuldades com o Caracas nas quartas. A defesa deles é bastante frágil, e o goleiro lembra o Higuita. Na frente, é um time que contra-ataca rápido, e só. Passando todas as bolas pelo pé do Figueroa.

arbitro2Mas, alguém pode me dizer qual era a do juiz argentino, Pablo Lunati(co)? O juizão do cabelo ao estilo moicano e metrossexual me lembrou o comportamento de alguns boleiros. Vasculhando o Google, encontrei esta foto ao lado, totalmente pastelão (hahaha!).

E o pior, dizem por aí que ele andou implando cabelo pra fazer o moicano, confere aqui!

No mais, dá Grêmio nas quartas.

Glauco Bittencourt